É muito lógico que a partir do
momento que você se cadastra em uma rede social e começa a colocar seus dados,
você está exposto. Claro que esse é um dos nossos objetivos, todo mundo quer se
expor, mas não estou julgando isso. Exposição é bom, com boa dose de noção e
respeito pelo espaço do outro. Ajuda a gente a se expressar, a organizar nossas ideias, a construirmos nossos discursos na sociedade.
Comecei a notar que muita
gente sabe que eu existo, me percebe no mundo, mas simplesmente me ignora ou
troca suas ideias sobre mim com terceiros, reforçando seus preconceitos. Manter
esse blog me acumula processos e processos de fofocas e problemas. É muito
complicado.
As pessoas me chamam de fútil,
dizem que eu deveria estar fazendo algo pelo mundo, mudando o sistema, enquanto
estou aqui mostrando unhas ou looks do dia. Gente, como podemos ser tão
individualistas e preconceituosos? Como? Eu não consigo entender. Eu sempre fui
uma pessoa muito crítica, muito observadora e muito questionadora. Isso é muito
natural pra mim.
Eu considero a moda uma das
coisas mais importantes que existem (lembrei agora do livro "
O Mundo de Sofia", que o
autor fala que quando o homem tem fome ou está cansado, essas são as
prioridades a serem satisfeitas, mas depois, com isso resolvido,
ele tem sede
de algo mais). É assim que me sinto em relação a moda, quando vejo ela através da história, sociologia e filosofia, ela constrói tudo que está ao nosso redor, porque nós vivemos
uma sociedade de moda, desde o século XII, pelo que tenho notícia.
Tenho uma professora que
sempre fala que odeia quando as pessoas dizem que a moda é um reflexo das
coisas, porque ela não é, ela faz parte das coisas. Ela está presente, no
material, no abstrato, no imaginário. Temos esse sério problema com as coisas
importantes: saúde, educação, segurança. Não estou rejeitando isso, mas, me
diga, cuidar de você mesmo, manter se bem, não é uma questão de saúde? Mostrar
que você pode vestir o que quiser, desde que se sinta bem, não é uma questão de
quebra de estereótipos, de padrões, não é uma questão de reflexão, de passar
uma imagem para as pessoas que estão ao seu redor, e portanto, de
educação?
Bom, me disseram que eu faço
os dois cursos que mais reforçam o sistema injusto em que vivemos. Vocês
percebem o quanto isso vem carregado de significado e de discursos
preconceituosos? Pois é. Claro que existe mal jornalismo, claro que existe má
literatura, claro que existe má medicina. Mas isso é óbvio. O mundo é feito por
humanos e estamos sujeitos a isso, precisamos de erros para aprender,
precisamos de experiências ruins para lutar pelas boas. E isso é muito positivo,
na minha opinião. Quem pensa que tudo deve ser homogêneo, bom e ideal acaba por
entrar num sistema de máquinas, que opera com perfeição. Existem ideias que
devem estar lá, para olharmos e nos inspiramos, mas existem tantas nuances no
caminho, que podem ser percebidas, adaptadas e chegarmos num consenso, às vezes
longe do ideal, mas perto da ética, perto do que é melhor dentro de uma
democracia.
Defendo muito as coisas que eu
acho que valem a pena, adoro discutir e debater, acredito que ninguém é obrigado a concordar comigo, mas é triste quando começamos
a conversar com pessoas convencionadas, cheia de preconceitos (e no entanto,
tão jovens) que juram que estão defendendo um mundo melhor pra todos, mas
acabam por serem egoístas. Para mim, a mudança no mundo começa dentro de cada
um.
Não sou a favor dessas
mudanças em massa e quando olho para trás vejo que elas realmente não deram
muito certo. O mundo é individual, é a partir de você que são vistas as coisas,
mas isso também quer dizer que você precisa respeitar os outros. Viver em um
trabalho que você odeia, viver esperando por um feriado, viver deprimido e
conformado não te faz mudar as coisas e o que é pior: não te faz se sentir bem.
Sou a favor de mudanças,
sempre. Desde que isso faça bem pras pessoas. Sempre tive claro pra mim que
jornalismo e moda são coisas do bem. A partir deles posso, sim, mudar o mundo.
Esse é o grande ideal da maioria das pessoas de bem. Vemos injustiças e coisas
horríveis acontecendo. Podemos mudar as coisas do nosso jeito, você não precisa
ser um cientista social ou um policial para isso, mas, pode ser também. Vou dar
um exemplo: se você trabalha no serviço público, gosta do que faz e atende as
pessoas com atenção e dedicação, você está fazendo sua parte e é graças a você
que podemos esperar que as coisas sejam melhores. Estou propondo que, devemos
ir atrás do que gostamos, buscar o que nos completa, o que nos deixa satisfeito
e realizado, dando o nosso melhor.
Essas coisas envolvem todo
nosso sistema de educação, de eleição, de saúde, de segurança. Como eu posso
querer mudar tudo, sem pensar um pouco em como estou agindo, o que eu estou
fazendo? A sociedade é complexa, é feita por pessoas, existem um milhão de ocupações diferentes e importantes. Existem muitas áreas que são subestimadas, muitas áreas que são
negadas pelas pessoas que se dizem “sérias” e julgam que não são importantes.
Isso é podar os outros, pensar genericamente, é censurar!
Nosso mundo é formado por
pequenas coisas, través de trabalhos minuciosos. Já olhou pra sua casa? Já
olhou ao seu redor? Pare de pensar no óbvio, existem coisas muito além. Estamos cheios de móveis, pisos, produtos e embalagens que
não sabemos de onde vem, quem produz e como se faz. Essas pessoas estão
colaborando para o seu bem estar. Quando vejo alguma resenha de um produto em
um blog e vejo que ele cumpre o seu papel, não faz teste em animais, vejo que a
empresa tem uma responsabilidade social, percebo que esta pessoa está ajudando
a divulgar que nós temos escolhas, nos ajuda a construir um mundo melhor optar
por isso e não por aquilo. Isso não é refletir? Isso não é fazer as pessoas
pensarem?
Temos milhares de maneiras
para olharmos para as coisas, só depende de nós, sermos críticos em relação a
um produto, a uma letra de música, a um livro, a um texto de jornal. Para mim,
um blogueiro que ajuda nessa construção e crítica das coisas, que parecem
pequenas e nos cercam (seja através da moda, da beleza, do humor ou o que for), está fazendo um trabalho precioso e bonito, além de
estar bem consigo mesmo, estabelecendo diálogos e permitindo uma mudança.
Quando me criticam em relação
ao jornalismo, muitos citam programas de televisão e jornais que fazem
sensacionalismo. O que eu posso dizer? São escolhas, existem públicos, claro
que existe alienação e existe sistema, não concordo com tudo que se passa. Mas
a solução para esses problemas também se relaciona com estarmos atentos e não
darmos audiência, criticar e reverter a situação, de maneira justa, lutando por
qualidade nas programações e buscando meios alternativos e nisso, a internet e
as redes sociais está do nosso lado, nos dando voz.
Eu sou a favor do
entretenimento, acho que precisamos refletir, mas também precisamos desses
espaços de escape, isso não significa que eles são vazios, lacunas em que a
pessoa não está pensando. Existe muitas maneiras de se olhar para uma coisa, é
o que eu penso. Mesmo as comédias românticas ou livros que te parecem idiotas,
te ensinam alguma coisa, não existe experiência nula, tudo incide sobre você de
alguma maneira e cabe a cada um direcionar esses conhecimentos para fazer o bem
a si mesmo e ao próximo.
Isso que é bom de ter um blog,
sabe? Pode se expressar, em primeira pessoa, desabafar e expor o que você
pensa, escrevendo sobre aquilo que te incomoda e que você acha relevante.
Espero que vocês leiam e
discutam comigo sobre isso, porque este blog é para isso, para um diálogo, uma
troca. Mas se vocês não estão
interessados, não posso culpá-los. Viva o livre arbítrio!