16/05/2013

Falando sobre o mundo: Generalizações e preconceitos



É muito lógico que a partir do momento que você se cadastra em uma rede social e começa a colocar seus dados, você está exposto. Claro que esse é um dos nossos objetivos, todo mundo quer se expor, mas não estou julgando isso. Exposição é bom, com boa dose de noção e respeito pelo espaço do outro. Ajuda a gente a se expressar, a organizar nossas ideias, a construirmos nossos discursos na sociedade.
Comecei a notar que muita gente sabe que eu existo, me percebe no mundo, mas simplesmente me ignora ou troca suas ideias sobre mim com terceiros, reforçando seus preconceitos. Manter esse blog me acumula processos e processos de fofocas e problemas. É muito complicado.
As pessoas me chamam de fútil, dizem que eu deveria estar fazendo algo pelo mundo, mudando o sistema, enquanto estou aqui mostrando unhas ou looks do dia. Gente, como podemos ser tão individualistas e preconceituosos? Como? Eu não consigo entender. Eu sempre fui uma pessoa muito crítica, muito observadora e muito questionadora. Isso é muito natural pra mim.
Eu considero a moda uma das coisas mais importantes que existem (lembrei agora do livro "O Mundo de Sofia", que o autor fala que quando o homem tem fome ou está cansado, essas são as prioridades a serem satisfeitas, mas depois, com isso resolvido, ele tem sede de algo mais). É assim que me sinto em relação a moda, quando vejo ela através da história, sociologia e filosofia, ela constrói tudo que está ao nosso redor, porque nós vivemos uma sociedade de moda, desde o século XII, pelo que tenho notícia.
Tenho uma professora que sempre fala que odeia quando as pessoas dizem que a moda é um reflexo das coisas, porque ela não é, ela faz parte das coisas. Ela está presente, no material, no abstrato, no imaginário. Temos esse sério problema com as coisas importantes: saúde, educação, segurança. Não estou rejeitando isso, mas, me diga, cuidar de você mesmo, manter se bem, não é uma questão de saúde? Mostrar que você pode vestir o que quiser, desde que se sinta bem, não é uma questão de quebra de estereótipos, de padrões, não é uma questão de reflexão, de passar uma imagem para as pessoas que estão ao seu redor, e portanto, de educação
Bom, me disseram que eu faço os dois cursos que mais reforçam o sistema injusto em que vivemos. Vocês percebem o quanto isso vem carregado de significado e de discursos preconceituosos? Pois é. Claro que existe mal jornalismo, claro que existe má literatura, claro que existe má medicina. Mas isso é óbvio. O mundo é feito por humanos e estamos sujeitos a isso, precisamos de erros para aprender, precisamos de experiências ruins para lutar pelas boas. E isso é muito positivo, na minha opinião. Quem pensa que tudo deve ser homogêneo, bom e ideal acaba por entrar num sistema de máquinas, que opera com perfeição. Existem ideias que devem estar lá, para olharmos e nos inspiramos, mas existem tantas nuances no caminho, que podem ser percebidas, adaptadas e chegarmos num consenso, às vezes longe do ideal, mas perto da ética, perto do que é melhor dentro de uma democracia.
Defendo muito as coisas que eu acho que valem a pena, adoro discutir e debater, acredito que ninguém é obrigado a concordar comigo, mas é triste quando começamos a conversar com pessoas convencionadas, cheia de preconceitos (e no entanto, tão jovens) que juram que estão defendendo um mundo melhor pra todos, mas acabam por serem egoístas. Para mim, a mudança no mundo começa dentro de cada um.
Não sou a favor dessas mudanças em massa e quando olho para trás vejo que elas realmente não deram muito certo. O mundo é individual, é a partir de você que são vistas as coisas, mas isso também quer dizer que você precisa respeitar os outros. Viver em um trabalho que você odeia, viver esperando por um feriado, viver deprimido e conformado não te faz mudar as coisas e o que é pior: não te faz se sentir bem.
Sou a favor de mudanças, sempre. Desde que isso faça bem pras pessoas. Sempre tive claro pra mim que jornalismo e moda são coisas do bem. A partir deles posso, sim, mudar o mundo. Esse é o grande ideal da maioria das pessoas de bem. Vemos injustiças e coisas horríveis acontecendo. Podemos mudar as coisas do nosso jeito, você não precisa ser um cientista social ou um policial para isso, mas, pode ser também. Vou dar um exemplo: se você trabalha no serviço público, gosta do que faz e atende as pessoas com atenção e dedicação, você está fazendo sua parte e é graças a você que podemos esperar que as coisas sejam melhores. Estou propondo que, devemos ir atrás do que gostamos, buscar o que nos completa, o que nos deixa satisfeito e realizado, dando o nosso melhor.
Essas coisas envolvem todo nosso sistema de educação, de eleição, de saúde, de segurança. Como eu posso querer mudar tudo, sem pensar um pouco em como estou agindo, o que eu estou fazendo? A sociedade é complexa, é feita por pessoas, existem um milhão de ocupações diferentes e importantes. Existem muitas áreas que são subestimadas, muitas áreas que são negadas pelas pessoas que se dizem “sérias” e julgam que não são importantes. Isso é podar os outros, pensar genericamente, é censurar!
Nosso mundo é formado por pequenas coisas, través de trabalhos minuciosos. Já olhou pra sua casa? Já olhou ao seu redor? Pare de pensar no óbvio, existem coisas muito além. Estamos cheios de móveis, pisos, produtos e embalagens que não sabemos de onde vem, quem produz e como se faz. Essas pessoas estão colaborando para o seu bem estar. Quando vejo alguma resenha de um produto em um blog e vejo que ele cumpre o seu papel, não faz teste em animais, vejo que a empresa tem uma responsabilidade social, percebo que esta pessoa está ajudando a divulgar que nós temos escolhas, nos ajuda a construir um mundo melhor optar por isso e não por aquilo. Isso não é refletir? Isso não é fazer as pessoas pensarem?
Temos milhares de maneiras para olharmos para as coisas, só depende de nós, sermos críticos em relação a um produto, a uma letra de música, a um livro, a um texto de jornal. Para mim, um blogueiro que ajuda nessa construção e crítica das coisas, que parecem pequenas e nos cercam (seja através da moda, da beleza, do humor ou o que for), está fazendo um trabalho precioso e bonito, além de estar bem consigo mesmo, estabelecendo diálogos e permitindo uma mudança.
Quando me criticam em relação ao jornalismo, muitos citam programas de televisão e jornais que fazem sensacionalismo. O que eu posso dizer? São escolhas, existem públicos, claro que existe alienação e existe sistema, não concordo com tudo que se passa. Mas a solução para esses problemas também se relaciona com estarmos atentos e não darmos audiência, criticar e reverter a situação, de maneira justa, lutando por qualidade nas programações e buscando meios alternativos e nisso, a internet e as redes sociais está do nosso lado, nos dando voz.
Eu sou a favor do entretenimento, acho que precisamos refletir, mas também precisamos desses espaços de escape, isso não significa que eles são vazios, lacunas em que a pessoa não está pensando. Existe muitas maneiras de se olhar para uma coisa, é o que eu penso. Mesmo as comédias românticas ou livros que te parecem idiotas, te ensinam alguma coisa, não existe experiência nula, tudo incide sobre você de alguma maneira e cabe a cada um direcionar esses conhecimentos para fazer o bem a si mesmo e ao próximo.

Isso que é bom de ter um blog, sabe? Pode se expressar, em primeira pessoa, desabafar e expor o que você pensa, escrevendo sobre aquilo que te incomoda e que você acha relevante.

Espero que vocês leiam e discutam comigo sobre isso, porque este blog é para isso, para um diálogo, uma troca.  Mas se vocês não estão interessados, não posso culpá-los. Viva o livre arbítrio! 

20 comentários:

  1. Querida, ótima sua reflexão!É muito fácil falar que pessoas que se interessam por moda são fúteis e superficiais, mas qualquer um pode fazer o seu papel por um mundo melhor dentro de qualquer nicho, começando inclusive pelo respeito aos interesses do próximo!
    Este ano estive em uma exposição maravilhosa em Paris que retratava dois séculos de moda europeia. Foi incrível ver as transformações que ocorreram na moda a partir da transformações sociais! Ali estava o retrato das mudanças culturais, sociais e econômicas que ocorreram naquele período, exatamente naquelas simples peças de roupa.
    Esses tipos de comentários são típicos de gente infeliz e invejosa, porque quem está realmente ocupado tornando o mundo melhor, não tem tempo para ficar criticando a escolha dos outros #prontofalei!
    Beijinhos,
    Rosa
    Le Paquet

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  2. Gente, me desculpem pelo comentário “geral”, mas o provedor do meu blog me deixou na mão ontem e o blog ficou fora do ar. Como tive inúmeros problemas, acabei tendo que mudar o link do blog que agora é WWW.LEFERBLOG.COM.BR (adicionei o “.br”) e parece que tudo voltou ao normal, então por favor salvem esse link no seu computador porque o antigo já não existe mais. E mais uma ultima coisa: JAMAIS CRIEM UM DOMÍNIO PELO IG, sério, só problemas. Beijos e espero vocês no blog ♥
    Instagram: ferdallan
    http://www.leferblog.com.br

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  3. Acho engraçado sempre que ouço alguém falando que moda ou beleza são futilidades. Falta pensar um pouco que a questão é muito mais profunda que isso: e o bullying? E o preconceito? E as manias por marca? São todas questões sociais que são de alguma maneira reflexos de uma sociedade que homogeneiza as pessoas. Ninguém fala o quanto ser diferente é doloroso, difícil... Ninguém se lembra de que maquiagem é arte, moda é arte, e se vestir da maneira que te completa é muito mais do que futilidade. E vejo muitos blogs ativos nesse área: e a idéia do meu é exatamente essa. Eu não preciso ter 1,70m, ser magra como uma modelo e me vestir como todo mundo para ser uma pessoa digna e forte. Eu posso sim usar roupas divertidas, maquiagens meio loucas, e ser alguém que merece sim ser amada e ser respeitada (porque respeito é tudo!). Mas é claro que na rua todo mundo me olha porque uso um sapato diferente... E por mais que eu não enxergue de longe porque minha vista é ruim, sei muito bem quando me encaram porque não estou igual a todo mundo. Mas quer saber? Cansei de ligar. Prefiro viver no meu mundo, em que todo mundo é meio diferente, em que cada um se veste da maneira que quer e em que temos um mínimo poder de escolha. E moda faz parte disso sim! Seu post é perfeito!

    Passando para desejar um ótimo dia!
    Liz<3
    The Red Lil' Shoes Blog
    http://theredlilshoes.blogspot.com.br/

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  4. Gostei muito do texto, quando eu era mais nova tinha muito preconceito com patricinhas, mas agora já passou kk

    Hey, fiz um post no meu blog sobre o desafio da canela, vc pode fazer um post sobre isso também? Se quiser pode até publicar o meu vídeo que eu não me importo *-*

    www.cupcaketaste.com

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  5. Também já ouvi dizerem que moda e beleza eram futilidades. Mas essas pessoas não sabiam que eu tive baixa autoestima quando criança/adolescente e foi na maquiagem que me senti segura. Hoje, já não preciso mais tanto dela quanto antes, mas ainda entendo e respeito seu valor. Concordo com você em tudo, se cada um achar aquilo que faz de melhor e der seu melhor naquilo, o mundo vai pra frente.
    Ótimo texto, parabéns.
    Beijos.
    http://pandainvertido.com/

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  6. Sei exatamente o que é ser criticada por algo que se posta, mais ou menos em 2005 eu tinha um blog sobre literatura, postava resenhas de livros, minha opinião, novidades no mundo da literaruta, e em 2009/2010 fiz um blog de moda com duas amigas, muitos leitores que já me conheciam desde o meu primeiro blog me criticaram, dizendo que eu estava me tornando fútil, ridiculo... e sabe o que eu acho? tem muito moralista por ai que exige que as pessoas façam/falem sobre um determinado assunto que "ajudaria" o mundo de alguma forma quando nem eles mesmos fazem, ninguém tem direito de cobrar/criticar ninguém! somos responsáveis por nossos próprios atos e temos liberdade de expressão, eu particulamente não acho seu blog futil, acho ele interativo, a vida já é muito dura diariamente para não termos direito de falar sobre entreternimento, se não, todos os blogs teriam que ser jornalistico, cultural, coisas do tipo... a vida não seria nada interessante se TODOS fossem iguais e padronizados, então, não ligue para o que dizem... amei seu texto e concordo com cada virgula ;) beijos!

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  7. É fácil dizer que um trabalho é fútil quando não é você que está fazendo. Acho que as pessoas que falam esse tipo de coisa não pararam para pensar direito em tudo o que o jornalismo e a moda englobam!
    E a parte do jornalismo que nos apresenta o que está acontecendo no mundo,notícias ruins e boas, novos projetos e divulgações ?! Ok, tem programas que recebem dinheiro para mostrar aquilo que 'grandes líderes' querem, mas acredito que nem todos são assim...
    E como você disse: o mais importante é fazer aquilo que te faz bem, aquilo que te deixa feliz, porque é assim que você faz a diferença, fazendo bem feito aquilo que você gosta de fazer.Mas, também acho que se um dia você precisar estar em um trabalho do qual você não gosta, fazer bem feito é o mínimo para que você consiga alcançar os seus objetivos e poder trabalhar com aquilo que gosta.

    Não se deixe abalar pelo o que essas pessoas cheias de opiniões dizem, continue fazendo o que gosta sempre!

    Beijos,
    Ana.
    Nk Cherry

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  8. Oi Thay
    Muito bom o seu texto, mas é uma pena que ainda tenhamos que falar sobre esse tipo de assunto,né.
    Quando estava na faculdade também passei um pouco por isso porque fazia turismo e algumas pessoas achavam que era só para viajar, que ia ter vida boa,etc...
    Na verdade tive 1 ano e meio de matemática 1 de estatística além de matérias da grade de administração, planejamento e contabilidade,nada de moleza,rs
    O importante é que você sabe que o que está fazendo e útil e tem sua consciência tranquila.
    Adoro o seu blog,tanto que está no blogroll do Estilo Rosa
    bjs

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  9. Isso é horrível, infelizmente ainda existe.Beijinhos

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  10. gostei do texto.
    nos leva a refletir.

    Boa noite
    Beijos
    http://365diasvariados.blogspot.com.br/

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  11. Eu fico indignada como o preconceito ainda existe em tempos tão modernos né.
    Gostei do texto.
    Beijos ♥

    Itgirlsiempre.blogspot.com.br

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  12. O mundo seria bem mais feliz se cada um cuidasse da sua própria vida.

    Adorável Tédio
    Adorável Tédio Fã Page

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  13. Que bacana, adorei'
    ;)

    Boa noite minha flor!

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  14. Acho que a maioria das blogueiras passam por um pouco disso,é chato, complicado.Eu mesma não divulgo meu blog na minha rede social(fora a fan page) porque sei que os que me conhecem vão visita-lo todos os dias para bisbilhotar minha vida e sair falando asneira. Tenho certeza que sua intenção de criar o blog nunca foi por futilidade, as pessoas devem rever seus conceitos.

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  15. Muito legal você falar sobre isso. Eu também não divulgo meu blog no meu facebook. Aliás, ja postei umas duas vezes um link de um post específico, mas sempre rola aquela "vergonha" ou receio do que vão pensar... Sei lá, ainda tem tanta gente "atrasada" no mundo, né? Às vezes sinto vontade de deletar todo mundo do meu facebook e depois adicionar só aqueles que são meus amigos realmente, pra não ter que ficar nessa de tomar cuidado com o que eu falo e etc.

    www.themelodyinside.com

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  16. Infelizmente o preconceito ainda existe (bastante) em todos os lugares. Eu não divulgo meu blog no meu facebook pessoal, poucas pessoas que eu conheço sabem que tenho um. Sei que Sei que muitos irão dizer "ah essa daí não sabe nada" ou então "fez um blog pra aparecer" sei lá, é complicado né? Acho que as pessoas tem sim o direito de falar e expor a sua opinião desde que seja de forma respeitosa em relação as outras pessoas, julgar sem conhecer não ta com nada. Muito bom esse seu post, fez a gente refletir bastante!

    Beijos
    osdetalhesdeumavida.blogspot.com

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  17. É uma pena saber que ainda existem pessoas que 'julgam o livro pela capa'. Pelo pouco que te conheço (através dos seus textos), tenho certeza de que você não é como dizem. Adorei o texto, é bom quando alguém escreve e faz a gente refletir ;)
    Beijos!

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  18. concordo com mta coisa q vc disse, e acho o máximo vc nao perder essa essencia de blog q é escrever o que pensa ;)

    bjs e um ótimo fds
    http://www.compradoraweb.blogspot.com.br

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  19. O que seria de nós sem os jornalistas? Nós não saberíamos de nada, não é?

    Cada um tem a sua profissão e temos que tentar fazer o melhor que podemos. Eu acho muito interessante juntar a moda com o jornalismo, o mundo da moda precisa deste olhar, é um jeito de melhorar e evoluir nos passos que o mundo dá. A sustentabilidade é uma palavra muito falada, mas é recente, antes ninguém se preocupava com isso, mas o olhar crítico que geralmente os jornalistas têm está mudando isso. A moda faz parte da arte, da música, da cultura e não precisa deixar de existir, é a injustiça que tem que sumir de vez.

    Você é inteligente é esforçada, continue assim.

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  20. Disse tudo, não aguento mais viver nesse mundo de injustiças!

    Beijoos, Ana Carolina!
    http://simplesglamour.blogspot.com

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