30/09/2014

Falando sobre comportamento: Falta de crítica










Imagens via NDOnline

 O gosto pelo mórbido e a vida no automático

Certa vez fui me confessar na Igreja com minha mãe, isso há uns quatro anos atrás. Não, esse post não tem caráter religioso e eu não sou católica, mas fiz primeira comunhão e convivi com a religião por conta da minha família. Agradecer e me confessar são as coisas das quais mais simpatizo na Igreja, mas isso é assunto para um outro post, talvez. Neste dia, quando me encontrei com o padre numa salinha da Igreja, ele me perguntou o que eu fazia da minha vida, com seu sotaque arrastado pendendo para o polonês. Sempre que me faziam essa pergunta, eu hesitava. A maioria das pessoas não entende bem do que se trata Design de Moda, então eu só falava do Jornalismo. Resolvi explicar que eu era estudante e fazia faculdade de Jornalismo. Foi aí que o semblante dele mudou e me perguntou se eu ia ser mais um urubu ou se eu pretendia fazer algo para mudar as coisas.
Apesar desse comentário ríspido, o padre era uma pessoa tranquila e compreensiva e a confissão foi mais uma conversa rápida. Lógico que entrei no Jornalismo com um propósito, eu queria mudar o mundo. Mas, fiquei pensando muito sobre o que ele falou, considerando que o pobre do urubu fica com essa fama, mas sem ele estaríamos perdidos. Afinal, essa nobre ave é que faz todo o trabalho sujo, junto com todos os seres vivos minúsculos que participam das decomposições, fundamentais para a continuação dos ciclos. O urubu está ali apenas cumprindo seu papel.
A culpa sempre caí sobre o jornalismo e a mídia, na maioria dos casos e situações polêmicas que ocorrem no mundo, já repararam? Não quero ficar de mimimi e defender a classe, porque acredito que os jornalistas e pessoas envolvidas com a mídia erram e erram muito. Porém, ninguém para pra pensar que existe um público? Existem pessoas ávidas pela carniça encontrada pelo urubu. As pessoas gostam do mórbido, as pessoas passam com seus carros lentamente ao redor de uma acidente de trânsito para ver o corpo do morto, as pessoas são curiosas e amam histórias macabras.
Isso pode parecer normal, pode parece intrínseco ao ser humano, mas tem limite. Quando penso que muitas vezes isso é completamente irracional e até desrespeitoso, me sinto envergonhada e de certa forma, impotente. Ontem, na faculdade, algumas pessoas da minha turma pararam uma aula para ver fotos de uma mulher que foi atropelada num ponto de ônibus nas proximidades. Fiquei tão horrorizada com aquilo, como alguém pode querer assistir, como alguém pode dar ibope pra esse tipo de situação? Ninguém se coloca no lugar da pessoa que está lá?
Bom, talvez eu tenha que explicar melhor. Esse atropelamento aconteceu por diversos fatores. Aqui em Florianópolis e região desde sexta passada estamos vivendo um caos por conta de ônibus que são incendiados (sem pessoas dentro). As empresas querem circular menos ônibus, as pessoas ficam com medo e a polícia está toda na rua perseguindo os responsáveis. Porém, a polícia faz buscas descontroladas e sem nenhum preparo, provocando essas perseguições no meio de civis que levaram a esse atropelamento perto da minha universidade.
O fato das pessoas não estarem discutindo a ação da polícia, não estarem interessadas nos motivos que levaram as pessoas a colocarem fogo no ônibus ou pensando na segurança dos passageiros e motoristas/cobradores, me entristece e me indigna ao mesmo tempo. O único interesse é pela situação fora do comum, a quebra da rotina. O público é ávido pelo jornal que escorre sangue. Essa situação inclusive me lembrou aquela vez em que o avião da Gol caiu, há sete anos atrás, em que as pessoas passavam umas para as outras as fotos das pessoas mortas e em pedaços no solo. Lembro de ter me recusado a ver aquilo e ter ficado por muito tempo com aquela dúvida de “por que pessoas que não precisam ver isso querem ver isso?”.
Enfim, depois daquele rebuliço na sala de aula, fiquei com aquela sensação de desapontamento. São nessas pequenas situações que sinto minha fé na humanidade abalada. Eu realmente entrei no Jornalismo para mudar o mundo, mas não posso dizer que sai dele com esse pensamento. O mundo tantas vezes me parece que simplesmente não quer ser mudado. Claro, cada pessoa é responsável por isso, é responsável por sustentar essa sociedade, nós somos culpados e não adianta julgar só olhando pro outro.
Infelizmente não adianta nada falar de notícias sérias, ter um veículo de comunicação comprometido e crítico. Para vender algo você precisa de um público e de repente, você até pode criar uma necessidade em um público que almeja, um público que anseie por qualidade de informação e responsabilidade. Mas, o que fazer quando as pessoas juram que possuem um senso crítico sendo que não enxergam o óbvio? O que fazer quando seu público pensa que quer uma coisa e, na verdade, quer outra? As pessoas não conseguem ver com clareza o que fazem e o piloto automático reina.
Algumas pessoas falam em educação, outras em segurança  e algumas até em mudanças pequenas no modo como funcionam as coisas. Mas, enquanto isso, nossa vida é agora. Esse é o nosso mundo e as pessoas não estão interessadas nas perguntas, mas sim nas respostas fáceis que enxergam através da janela do seu carro.


36 comentários:

  1. Apenas chocada com cada palavra. Eu até hoje não entendo qual a necessidade de pregar sempre coisas ruins nos jornais por exemplo. É claro que existem fatos de extrema importancia mas já cheguei a assistir jornais que só falam de morte e acidentes e coisas ruins. Acho que a informação deve ser transmitida em prol de quem assiste e não sei se existe uma grande bagagem de conhecimento nessas reportagens que só falam de coisas ruins e que a maiioria das pessoas gosta de ler. Tive uma aula hoje relacionada a forma que a propaganda é usada nas politicas, e uma frase que não sai da minha cabeça desde então é: o povo segue seus próprios interesses ou é simplesmente manipulado? Sinceramente, não sei o que pensar. Só sei que no meio de tantas polemicas e questionamentos que giram em torno do jornalismo, essa é uma ferramenta essencial e com certeza, não viveriamos sem.

    Beijoos, Ana Carolina
    Simplesglamour.blogspot.com
    Instagram e Twitter: @simplesglamour

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    1. SIM, Ana. A famosa imprensa sensacionalista tá aí e tem audiência suficiente pra reunir multidões. Justamente como comentei no post, tem gente que ESPERA por isso, tem gente que apenas QUER assistir esse tipo de situação, notícia, baixaria, disparate, morbidez. Não dá pra dizer que as pessoas são todas manipuladas e ponto. Acho que isso é ingênuo. Existe manipulação? SIM. Mas é apenas isso? Não. A situação é muito mais complexa e o que domina mesmo é o conformismo. Com certeza o Jornalismo é importante, sempre soube disso e ainda tenho fé que é possível fazer um Jornalismo "decente". Beijos!

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  2. Fiz ciclo basico de Jornalismo e olha, eu te entendo. Mas eu particularmente parei de ler jornal e ver TV. Percebi que nao me faz bem, e essa necessidade de "ficar informada" nao me fez a menor falta. Quanto menos eu me exponho a energia e a imagens negativas, melhor.

    Nao que eu nao goste de macabro. Estou lendo um livro de contos que fala muito sobre o macabro. Mas faz bem parar de ler jornal ou ver tv pra ver mortes desde o primeiro momento em que se acorda, sabe?

    Eu passei sempre tentar ver/fazer algo positivo pela manha, e minha vida melhorou muito. Funciona pra mim. Que os outros se mantenham informados. Eu prefiro me manter feliz.

    bjs de Filipinas,
    Gabi Barbará
    Barbaridades!
    Me ajude a tornar o Barbaridades ainda melhor!

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    1. Sim, Gabi. Eu também tenho essa sensação. Não entro em portais de notícia e quase nunca leio jornais ou revistas, por mais contraditório que isso possa parecer, considerando que sou jornalista. Mas tô cansada, tô com outras prioridades e sinceramente, não me importo com muitas coisas que são publicadas. Mas o gosto pelo macabro em ficção ou em histórias reais contadas é uma coisa, outra é a falta de respeito de postar uma foto de uma pessoa machucada numa rede social e expor um ser humano numa situação dessas, sabe? Acho que tem uma distância enorme entre essas coisas. Lógico que eu acho interessante o mórbido nesse sentido que comentei primeiramente, eu adoro histórias de suspense e tenho interesse pela mecânica psicológica do ser humano, mas tudo tem limites e falta MUITA noção nesse mundo! Beijos

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  3. Eu faço história e meu professor sempre fala "Vocês precisam se preocupar e questionar o comportamento do homem com fazer o que é mal aos demais. Pq a morte era uma atração em Roma? Divertimento?" Os tempos mudam, mas as pessoas continuam as mesmas. Eu por exemplo? Me sinto mal por cada vez na televisão vermos o quanto o ser humano ser rebaixar a um nível tão para devolver o que lhe fez mal. Mas o que piora é ver que a mesma notícia foi passada diversas vezes. As vezes penso que o que era para me informar, acaba criando um terror psicológico sobre mim. Eu espero sinceramente que você mude o jornalismo. Que deixe a sua marca registrada ali!

    Clichê de Escritora

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  4. É triste Tay, estou num momento "parem o mundo que eu quero pular"!!!

    Bjos

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  5. Tenho que confessar que esse é um dos melhores textos que já li ( sem puxação de saco, juro). Se tem uma coisa que me indigna é ver como as pessoas tem prazer em ver absurdos e não estão preocupados em querer mudar isso. Hoje, para conseguir chamar a atenção da mídia, tudo o que precisa é de escândalos e isso chega a ser repugnante.
    beijos
    http://mufevblog.blogspot.com.br/

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  6. Adorei a tua redacção :) Basicamente é o ponto de vista que as pessoas têm enfim.
    http://retromaggie.blogspot.pt/

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  7. Parabéns pelo texto, realmente muito oportuno e digno de uma reflexão mais séria. Principalmente num momento em que estamos as vésperas de mais uma eleição. Quem queremos no comando das decisões?

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  8. Olá, Thayse
    O problema das pessoas é que elas reclamam muito na teoria e na prática não fazem nada para mudar. Vide eleições por exemplo.
    Big beijos

    Lulu on the Sky

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  9. Nossa, adorei o seu texto e quase não vejo abordagens assim por aí. Eu concordo muito com você. Grande parte das coisas erradas que vemos por aí, tem platéia. E a gente nem precisa chegar a grandes veículos e a mídia pra ver isso. Numa sala de aula com 30 alunos, já vemos que tudo só vai pra frente porque tem um público. Concordo muuuito quando diz que a culpa é, em maior parte, de quem dá ibope para coisas assim.
    E já que as pessoas dão ibope, aqueles que fazem o conteúdo estão apelando cada vez mais.

    Um beijo
    www.reinodascoisas.com

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  10. Tha de grande pertinência seu post, eu preciso confessar que estou CANSADA da mídia , tudo igual, tudo falando de coisas ruins e nunca sabemos se as noticias são compradas ou não.. tenso

    Mil beijinhos
    Kammy
    Comer, Blogar, Amar...

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  11. Preciso confessar sou dessas de dar "Ibope" pra esse tipo de coisa, me interessar, tenho gosto pelo que é mórbido como você disse, temos que está ciente com o que existe no mundo, que existe coisa boa é claro, mais a violência tá aí, e tem que ser mostrada para as pessoas tomarem ciência da situação, não acho certo esses tipos de jornais de ficam tirando onda ou debochando de algo sério. Muito legal seu post. Parabéns!
    beijoos

    http://manguitarosa.blogspot.com.br/

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  12. Eu nunca consegui entender essas pessoas que "gostam" de vê a desgraça dos outros. No Facebook eu vejo cada foto de acidentes, vídeos, e um motivo de muito tristeza acaba virando "videozinhos para vê na internet" graças a Deus eu nunca fui de dá ibope a essas coisas, sempre quando acontece algum acidente eu não procuro nem passar por ali porque é triste demais, poxa é uma vida, como as pessoas podem sair tirando fotos, fazendo rodinha em volta só pra vê como foi e depois sair fofocando por ai, pelo menos eu nunca entendi como as pessoas podem fazer isso, eu perdi o meu pai esse ano em um acidente de moto e sei bem como é a dor de perder uma pessoa que ama muito assim de uma hora pra outra, não iria gostar nada, nem um pouco de alguém filmar o acidente e sair compartilhando por ai, eu acho que antes de tudo isso é falta de respeito. não só desses tipos de pessoas, mas também até de alguns jornalistas. Já cansei de vê na TV quando acontece uma grande tragédia, alguns jornalistas (não todos) acabam invadindo a privacidade das famílias, sempre querendo saber mais e mais e acabam esquecendo que é um momento delicado, momentos que a pessoa não quer uma grade exposição, mas nem todos respeitam isso, infelizmente.

    Falei demais né? Seu post ficou ótimo!

    Beijoss
    www.conversandocomalua.com

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    1. Day, você não falou demais não, eu amei seu comentário e lamento muito sua perda. Acho que a sua história é o maior exemplo de que as pessoas precisam ser respeitadas e as famílias também, qual a necessidade de fazer isso? Só posso acreditar que por conta dessa quebra de rotina, de postar primeiro, de viver no automático e estar sempre interessado pelo mórbido na vida alheia. Obrigada, Day ♥

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  13. cara nem sei oq dizer, eu particularmente jamais faria jornalismo, se tem algo em que não acredito é nessa necessidade de publicar notícias ou que a informação precisa ser disseminada a todo custo
    pra mim isso só faria sentido se trouxesse discussões positivas mas na maioria das vezes a informação de todos os veículos é sempre a mesma e o povo sempre dá ibope...
    desgraças, furos de reportagem sem sentido, falação da vida alheia e por aí vai... não importa se é num jornalzinho furreco ou num telejornal polido e formal, é sempre as mesmas coisas inúteis
    bjo!
    http://hippiegrungerajneesh.blogspot.com.br/

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  14. é uma triste realidade! Adorei seu texto!
    Eu já cansei de ler jornal por isso, sempre coisas ruins
    e isso tem que mudar, pq precisamos nos manter informada!
    beijinhos, Rê

    http://renatatruchinski.com

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  15. Sabe, eu vi muito de mim nesse texto. Não gosto de ver essas notícias que não agregam. O que de conhecimento me acumula saber que tal pessoa foi assassinada? Simplesmente o acidente, a morte, o assassinato é tão "vaidoso". Como estudante do primeiro ano de psicologia, estou passando a ter senso crítico, tentar descobrir por trás do que todos veem. Tentar entender porque a pessoa morreu. E isso os telejornais não me falam.
    Sempre tive esse afastamento do caos, para me poupar e proteger, mas hoje eu estou começando a me ver mais em contato com o que está por trás. Isso é no mínimo bom.
    Meu comentário ficou gigante, mas pelo seu texto maravilhoso me vi obrigada a comentar meu ponto de vista e experiência. Se você se tornar esse tipo de jornalista, farei parte, com toda a certeza, do seu público!

    Beijos, Carol do Aquela Princesa

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  16. tbm acho, o mundo hj parece que tem um gosto pela desgraça, é só noticia ruim por td canto, tbm acho que mts delas nao agregam nd a nossas vidas

    www.tofucolorido.blogspot.com
    www.facebook.com/blogtofucolorido

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  17. Acho que muitas pessoas gostam do sensacionalismo, sabe? Não por maldade, mas acho mais pela curiosidade. Também odeio ver foto de como foi, o que aconteceu com a vítima e tal. Para mim, ler a notícia já basta! Quando eu escolhi fazer jornalismo, foi a faculdade que mais se encaixava com o que eu realmente quero ser: escritora! Mas quando eu trabalho na área, prefiro trabalhar com coisas leves. Tipo assessoria de imprensa, escrever para veículos femininos, cultura e por aí vai. Escrever coisas leves é o que me fascina. O mundo já anda bem esquisito e eu já fico "satisfeita" em ler todo dia essas coisas ruins.

    Mas acho que esses veículos mais sensacionalistas continuam assim por chamar o público mesmo. Sempre quando tem um acidente mais grave, que choca todo mundo, eles batem na mesma tecla por vários dias. Mas acho que é pelo fato de dar audiência mesmo. Eu não sei!

    Beijocas,
    Carol
    www.pequenajornalista.com.br

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  18. Nossa, Thay, que texto incrível e cheio de verdades! Também compartilho desse desapontamento e desse pensamento de tentar saber "o porquê" das pessoas terem tanta sede por matérias como essa.

    Fico tão horrorizada com matérias do tipo e em saber que existem programas que são especializados em mostrar desgraça alheia! Mas, só fazem isso porque dá ibope, porque dá audiência.

    E que ninguém venha dizer que eles são pra alertar e mostrar como é.... Não concordo nada com isso, o que ele mostra é que as pessoas estão cada vez mais acostumadas com situações mórbidas. Pois a maioria não se revolta; elas apenas se conformam e passam a achar normal, pois virou rotina.

    Hoje em dia não só os jornalistas urubus, como o padre falou. Hoje em dia quase todos são urubus porque parece que virou cultura compartilhar desgraças, daí, não basta a tragédia em si e os jornais, pois fazem blog somente pra mostrar, fazem grupos no whastsapp pra compartilhar.

    Pior, se estavam com fotos, é porque tinha alguém lá fotografando. E sabe o que eu fico perguntando? Será que a prioridade de quem fotografou foi saber se ligaram pra ambulância? Ou foi somente passar devagarzinho pra ver melhor e tirar uma foto pra compartilhar?

    Vivemos numa socidade com valores trocados. Empatia não há mais... Ninguém se coloca no lugar da moça (da situação que você colocou) e nem na família dela. E só pensam nisso no dia, mesmo com todos os problemas que continuam: falta de segurança, ônibus queimados, má atuação da polícia etc.

    Mas pra eles é um novo dia e são mais tragédias, mais fotos, mais situações mórbidas e só.

    É uma pena. É de perder a fé na humanidade e ter medo do mundo que tão deixando pros meus filhos no futuro. :/

    Beijos, Fernanda.
    mudeimodei.com.br

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  19. Excelente texto, Thayse. A sociedade em geral vive um estado de vício por facilidade. O fácil acesso banalizou muito as coisas, fazendo com que sejamos bombardeados por informações a todo momento. No meio de tantas notícias banais (a roupa da celebridade, o passei do marido da celebridade, etc), as notícias que realmente possuem um cunho crítico passam despercebidas; aquilo que deveria causar impacto e reflexão tem o efeito revertido, ou seja, causa apenas total apatia. Um público que manifeste interesse e senso crítico pode contribuir para que haja veículos de comunicação mais sérios, compromissados com informações de qualidade e não pseudonotícias.
    Incrível!
    Beijos, Cyn
    http://ograndetalvez.blogspot.com.br/

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  20. Realmente algumas reportagens de acontecimentos importantes tem que ser noticiadas, mais as vezes os jornalistas (nesses casos os urubus) sempre colocam fotos de pessoas mortas/feridas e na maioria das vezes essas imagens nem precisam ser mostradas só fazem isso para chamar as pessoas ( que nesse caso também podemos chamar de urubus) para lerem as matérias. Pois há outras maneiras de contar varias reportagens que vemos por ai com mais sutileza, já que pode ter algum parente ou conhecido da vitima lendo a reportagem. E nós também ficamos chocadas quando vemos que algumas pessoas conseguem ficar olhando fotos/videos de pessoas mortas ou que sofreram acidentes graves!!

    beijos

    http://www.onlyinspirations.blogspot.com.br/

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  21. Eu sou dessas que passa devagar por um acidente sim, e não vejo problema algum nisso, pelo contrario, isso se chama ser realmente humano, deixar as frescuras de lado e não se importar de ajudar os outros; Já pensou que o acidente pode ter acontecido em alguma rua sem movimento e a vitima estar precisando de ajuda, de alguém pra ligar pra ambulância? Sem contar que pode ser algum conhecido! Não é gostar de coisas mórbidas, até porque se fosse por isso as pessoas pesquisariam "pessoas mortas" no google imagens e ficaram a tarde inteira olhando imagens assim (creio que ninguém faça isso kk), é querer estar bem informado, é querer, se preciso for, ajudar. Terrível ia ser se as pessoas se acidentasse e não fosse ninguém ajudar, ninguém fosse ligar pra ambulância, deixassem a criatura caída ali. E em relação á noticias tristes em jornais ou na internet, acho super importante, principalmente quando a tragedia acontece no transito, isso alerta as pessoas a tomarem mais cuidado; Na rua de trás da minha casa, por exemplo, é mão dupla e tem um cruzamento, meu namorado dirige e sempre que estamos voltando pra casa passamos por lá, presenciamos um acidente terrível entre um carro e um caminhão, desde esse dia ele toma mais cuidado ainda quando passa por lá, e muitas outras pessoas que viram no jornal ou pessoalmente também; Ele nunca bebe antes de dirigir e nem anda em alta velocidade, mas muitas pessoas são irresponsáveis e fazem esse tipo de coisa, é importante ter noticias sobre acidentes devido á bebida e velocidade, lógico que não vai ser por causa de uma simples noticia que a pessoa vai mudar o seu jeito de ser, mas é bom alertar. O que sinceramente eu acho inútil são as fofocas sobre famosos, isso sim é um tipo de jornalismo que eu não faria, acho ridículo ficar difamando os outros publicamente. Mas apesar disso, gostei do post, ótimo texto!
    www.espacegirl.com

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    1. Gabriela, acredito que você tenha entendido errado. Não falei no sentido de parar e ajudar, porque muitas vezes já tem uma ambulância no local. Quando escrevi, pensei nas filas que se formam e até dificultam a locomoção e saída de ambulâncias por conta de curiosos que passam ali só para olhar e ficar em volta, sabe? Bom, mas de qualquer maneira, obrigada pelo seu comentário.

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  22. Concordo plenamente com seu texto, finalmente alguém abordou esse assunto! Eu também fico muito chocada com a obsessão das pessoas pelo mórbido, pela desgraça. Aqui no meu estado é vendido um jornal sem censura, onde mostra fotos de corpos de pessoas decapitadas, queimadas e etc. E é incrível o quanto esse jornal vende por aqui, praticamente todo mundo compra e fica ali vendo aquelas imagens horríveis.
    Eu nunca gostei de ver esse tipo de coisa, as pessoas costumam dizer que eu sou medrosa e tenho estômago fraco, mas o caso é que eu acho desnecessário e desrespeitoso ficar "apreciando" esse tipo de coisa. A humanidade precisa mudar e muito!
    Beijos.
    http://infinitafeminice.blogspot.com.br/

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  23. Oi querida ♥
    É vamos falar serio, não digo que a culpa cai sobre a mídia, os veículos de informação...culpa nenhuma cai sobre eles. Alguém diz que a culpa do desastre ou da crise é da mídia. Não!
    O que se diz é que a maioria da mídia é muito sensacionalista. O que é a mais pura verdade!!
    Mas tu estas coberta de razão.
    Se existe essas formas de jornalismo é porque tem publico. Pq tem quem aproveite o espetáculo da desgraça.
    Mas eu acho que deveria haver os dois, uma mídia seria para quem quisesse e essa mídia do terror que estamos convivendo...nossa, eu fico com pena das novas gerações. Praticamente não existe mais musica boa, nem filmes, nem series, nem jornalismo, nem comedia...hehehehe
    O que será desse país??
    Bom, beijinhos ♥

    Pink CupCake | Fanpage

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  24. Olá. Também sou estudante de jornalismo (quase jornalista) e vejo diariamente que tragédia chama a atenção do público. Vendem mais jornais e revistas, dá audiência na TV e no Rádio e acumula dinheiro para alguns. Ao invés de fazerem algo para acabar com as questões que tomam conta do mundo, não, eles querem ver "o circo pegar fogo". Por isso estamos assim hoje, sem dinheiro no país, sem emprego, sem educação e cultura, porque eles investem em fatores que rendem verba somente para quem não precisa, e acabam esquecendo do mundo necessitado e violento lá fora.

    =D
    http://mundo-restrito.blogspot.com.br

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  25. Oii,

    Thay, eu adoro esses seus posts, percebo que temos uma forma de pensar bem parecida.
    Entrei no jornalismo com a mesma vontade que você e ainda continuo com ela, acho que as pessoas estão acomodadas com nosso mundo hoje. Me incomoda ver gente compartilhando imagens tão inuteis ou se desinteressando pelo o que realmente é importante.

    Espero que você continue com vontade de mudar o mundo e que consigamos juntas isso.

    Beijinhos,
    www.entrechocolatesemusicas.com

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  26. Bom concordo com você, também nunca quis ver foto ou vídeo de nada do tipo e acho um horror quem consegue ver essas coisas. Meu pai esses dias disse que clicou no vídeo da menina daqui do RJ que foi torturada em uma favela, não sei se você ouviu falar por esses dias (rasparam a cabeça dela, bateram muito nela (bom me falaram porque me recusei a ver no facebook ou qualquer lugar)).. Eu fiquei me perguntando como ele consegue ver essas coisas, ele não tem nervoso nem nada --'. É o que você diz tem gente que gosta de ver coisas do tipo e por isso existem jornais que só mostram isso, quando minha avó quer colocar em um desses canais eu já roubo logo o controle remoto falo: "Tudo menos jornal de tragédias! " rs
    Beijos!

    http://www.pamlepletier.com/

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  27. Difícil discordar de ti Thayse. Depois da morte de Eduardo Campos, as pessoas compartilhavam fotos do acidente pelo Whatsap. Quando o Fernandão, ex capitão do Internacional, morreu, pessoas, através do whatsap compartilhavam fotos do velório, fotos do corpo. Eu ficava me perguntando o motivo. É uma curiosidade mórbida. É algo irracional, e nenhum momento passa pela cabeça a dor e os sentimentos da família daquela pessoa em questão. É uma insensibilidade infinita. A mídia manipula, é tendenciosa, e tem lado. Mas só consegue ser, e tem credibilidade, porque um grupo gigante de pessoas dá a ela. Confia cegamente, sem questionar nada. É o grupo desses que tem sede em ver a tragédia em detalhes. É errado quem vende esse tipo de notícia. É. Mas, no capitalismo, enquanto tiver quem compre, não tem porque não vender.
    Mesmo que seja difícil, não desiste do mundo, e nem das pessoas. Porque sempre tem a exceção, as generosas, e as de bom coração, e por essas vale a pena não desistir. Beijoca!

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  28. Parabéns pelo texto! Muito verdadeiro! A imprensa sensacionalista é isso mesmo.. Mas porque há quem alimente estas coisas, porque há quem espere por isso e que goste de ver isso.

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  29. Que lindo seu blog , amei !
    beijos - http://zwischenkundmode.wordpress.com/ novo blog

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  30. thayse, seu texto está maravilhoso. Sério. Eu nunca vou conseguir entender esse fascínio do ser humano pela violencia, por corpos mortos e destroçados, por querer compartilhar foto de gente morta, de gente torturada, de gente despedaçada, ...
    Não entra na minha cabeça a necessidade de se passar uma imagem tão grotesca pra frente!!
    Acho que no fundo, no fundo, é uma situação de que a pessoa se reconforta por não ser ela a estar naquele lugar, entende. Porque cara, não tem sentido e nenhuma explicação plausível para tamanho apreço por violência.

    Enfim, também entrei no curso de direito querendo mudar o mundo e hoje - cursando apenas três períodos - já percebi que o buraco é muito, mas muito, mas profundamente mais embaixo. :(


    Um beijo,
    Isabella

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